Nota de Repúdio do Núcleo de Consciência Negra na USP

sobre a abordagem policial racista ocorrida no dia 9 de janeiro de 2011

A Polícia Militar está, pouco a pouco, mostrando à sociedade a razão pela qual ela foi colocada dentro do campus Butantã da Universidade de São Paulo pelo governo tucano. O suposto princípio de segurança do qual a reitoria se utiliza para combater a violência é na verdade uma fonte de violência e nós devemos nos perguntar quem, de fato, são os atingidos por ela.

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Na última sexta-feira, dia 16 de dezembro de 2011, em despacho publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o reitor João Grandino Rodas anunciou a expulsão de seis estudantes da Universidade de São Paulo, que estão participando da ocupação na moradia estudantil (CRUSP). A reitoria da USP optou pela pena de eliminação do corpo discente da universidade e exclusão do CRUSP a estudantes em luta por uma política de permanência estudantil que possibilite que estudantes de baixa renda possam frequentar a universidade pública.

Essa agressão ao direito democrático de organização e ação política no interior da universidade foi respaldada por um decreto dos anos de Ditadura Militar, mais precisamente de 1972. O decreto mencionado, em seu artigo 250, trata como falta grave de disciplina, passível de punição, as seguintes ações: “promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares”. O conteúdo deste decreto está claramente em contradição com o livre direito de greve e de manifestação política, garantidos pela Constituição Federal de 1988.

Essa medida do reitor é parte integrante da política repressiva da administração da universidade e do governo estadual contra o movimento organizado no interior da USP. Só neste ano de 2011, vimos a ameaça de demissão de dirigentes sindicais do SINTUSP, a prisão de 73 estudantes que se mobilizavam contra a presença da Polícia Militar no campus e, agora em meados de dezembro, essas absurdas expulsões. Explicita-se a intenção das autoridades constituídas de quebrar qualquer resistência à aplicação de seu projeto de universidade.

Diante deste grave acontecimento, as entidades e organizações políticas abaixo assinadas repudiam a repressão exercida por João Grandino Rodas e convocam o conjunto dos movimentos estudantil, popular e sindical brasileiros a se incluírem numa grande campanha em defesa da liberdade de manifestação política, instando a reitoria da USP a anular imediatamente a expulsão desses seis estudantes.

Assinam:

ADUSP – Associação dos Docentes da USP

SINTUSP – Sindicato dos Trabalhadores da USP

DCE Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme”

AMORCRUSP – Associação de Moradores do CRUSP gestão “Unidade Cruspiana”

CA XXXI de Outubro – Centro Acadêmicos 31 de Outubro [Enfermagem]

CAASO – Centro Acadêmico Armando Salles de Oliveira [São Carlos]

CAELL – Centro Acadêmico de estudos Literários e Linguístico “Oswald de Andrade”

CAER – Centro Acadêmico “Emílio Ribas” [Saúde Pública]

CAF – Centro Acadêmico da Filosofia “Prof. José Cruz Costa”

CAHIS – Centro Acadêmico de História

CAHS – Centro Acadêmico Hebert de Souza [Gestão de Políticas Públicas]

CALC – Centro Acadêmico Lupe Cotrim [ECA]

CAMAT – Centro Acadêmico da Matemática

CAPPF – Centro Acadêmico Professor Paulo Freire [Educação]

CARB – Centro Acadêmico “Rui Barbosa” [Ed. Física]

CAUPI – Centro Acadêmico Unificado de Pirassununga

CEGE – Centro de Estudos Geográficos “Capistrano de Abreu”

CEQHR – Centro de Estudos Químicos “Heinrich Rheinboldt”

CEUPES – Centro Universitário de Pesquisa e Estudos Sociais [C. Sociais]

GUIMA – Centro Acadêmico Guimarães Rosa [Relações Internacionais]

DALorena – Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia de Lorena

NCN – Núcleo de Consciência Negra

ANEL, ANDES-SN, CSP-CONLUTAS, Oposição de Esquerda/UNE, SINASEFE, SINSPREV/SP, STU – Sindicato dos Trabalhadores da UNICAMP, Sub-Sede da APEOESP Santo Amaro, MTST, SEPE-RJ, SindRede-BH

 

Organizações:

Barricadas Abrem Caminhos [Rompendo Amarras], Coletivo “Há quem sambe diferente”/PUC-Minas, Coletivo Construção, Coletivo Geografia na Luta/UFS, Coletivo “USP que queremos”, Construção Coletiva, Dialogação [Rompendo Amarras], Domínio Público [Rompendo Amarras], Frente de luta dos CA’s/UFMT, Juntos, Juventude LibRe, Movimento 89 de Junho (PUC/RS), Não Vou me Adapar (chapa pro DCE Livre da USP), Universidade em Movimento, Coletivo Feminista Yabá, Coletivo “Tomando o céu de assalto”/PUC-SP

DCE’s: UEM, UFJF, UFPA, UFPel, UFRGS, UFRJ, UNICAMP,

 

CAAP/UFMG

CABAM/UFRGS

CACIS/UFU

CAEF/UEM

CAEF/UNIFAP

CAHIS/UFU

CAPSI/UFMG

CECS/UFRGS

ComuniCA/UFMG

DA 26 de Julho/UFES

DA Direito/UNESP-Franca

DA ICB/UFMG

DA Letras Gestão “Ao Pé da Letras”/UFMG

DA Musica/UFMG

DACEFD/UFSM

DACEL/UNESP-Bauru

DACOI/PUC Minas

Executivas e Federações de Curos:

CEREGENE – Coord. Executiva Regional dos Estudantes de Geografia do NE

CONEEG – Confederação Nacional das Entidades Estudantis de Geografia

CONEP – Coordenação Nacional dos Estudantes de Psicologia

ENEBio – Executiva Nacional dos Estudantes de Biologia

ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social

ExNEEF – Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física

FEMEH – Federação do Movimento Estudantil de História

FENED – Federação Nacional dos Estudantes de Direito

Indicativos da Plenária da ECA

Publicado: 30 30UTC novembro 30UTC 2011 por Lupe Cotrim em Uncategorized

A Assembleia que estava marcada para ontem não aconteceu devido ao quórum baixo. Por isso, fizemos uma plenária que discutiu e tirou alguns indicativos a serem levados para assembleias de curso e assembleia geral.

Informes
As eleições do DCE ficaram para a última semana de março. A posse vai ser no CCA da primeira semana de abril. O tema da calourada ficou: “Educação não é caso de polícia”.

Sexta-feira dia 2 teremos a festa “Contra a moral e os bons costumes” na ECA. Precisamos criar uma comissão para cuidar da festa.

Indicativos
Indicativo de continuar a greve na ECA.
Indicativo de referendar a questão quanto à construção da calourada pelo comando de greve.
Indicativo de não haver comissão de negociação junto à reitoria.
Indicativo de que podem haver bandeiras e camisetas de partidos nos ato desde que dialoguem com o Movimento.
Indicativo de que a discussão sobre a Nova ECA seja incorporada à calourada da ECA.
Indicativo de um ato público no centro da cidade na semana que vem (saindo da Santa Efigênia até a Praça da República). Os dois eixos centrais do ato seriam a não criminalização dos movimentos sociais e não à PM assassina.
Indicaivo de realizar a Woodsteca contra a PM e a Violência na sexta-feira, dia 9 de dezembro.
Indicativo de carta  propondo calendário de reposição de aulas unificado na USP.

Recomendações
Que o comando de greve, DCE’s, centros acadêmicos e partidos se restrinjam a discutir assuntos da greve em vez de lutar pelo poder.
Que os cursos se reunam com seus delegados e debatam as questões relativas à calourada da ECA e da USP.

Slides do debate sobre E ducação, ocorridos na Semana de Arte e Política da ECA

Plano Nacional de Educação

 

DívidaPública

Deliberações:

1. manutenção da greve

2. referendamento do atiamento das eleições do DCE para 2012; adiamento das eleições do CALC para 2012 com calendário a ser decidido após a definição das eleições do DCE. Debate sobre a manutenção da gestão até a próxima eleição na próxima assembleia.

3. Estatuinte – para que possamos aprofundar no tema antes de deliberar sobre a inclusão da Estatuinte (aprovada na Assembleia Geral da USP) no eixo “Fora Rodas”, realização de debate na próxima semana a ser organizado pelos delegados da ECA

4. Eleição de Delegados para o comando – as próximas eleições (de titulares e suplentes) serão realizadas, a partir de agora, nas assembléias de cursos/departamentos e não mais na assembleia da ECA.

5. Que a comissão da semana dos bixos seja responsável por realizar atividades que dialoguem com o que tem sido esse movimento até agora. Esforço coletivo para que a semana seja única em toda a ECA. Próxima reunião: 4F, 17h30. convidar a comissão para realizar a reunião na prainha.

6. Ampliar e aprofundar os debates sobre cada um dos eixos, com debates, grupos de discussão e trabalho,etc.

7. contra a Nova ECA e a maneira como ela vem sendo tocada

8. Próxima assembleia: 29,/11 (terça-f eira), 19H

A seguir, estão as versões em português e francês da carta redigida pela Fédération des syndicats SUD Étudiant, da França.

Na França, os estudantes e o movimento estudantil são representados em escala nacional por uma série de federações e sindicatos estudantis – ao contrário do Brasil, aonde tradicionalmente ao longo de sua história o movimento estudantil nacional foi representado por uma única entidade nacional, a União Nacional dos Estudantes (UNE). Uma dessas entidades atuantes na Universidade Paris-Sorbonne (Paris IV), a Federação SUD Étudiant, entrou em contato com a luta dos estudantes da Universidade de São Paulo e encaminhou a seguinte carta de solidariedade ao movimento da USP, assim como aos estudantes franceses:

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Fora polícia do campus! Todo apoio aos estudantes de São Paulo!

No dia 8 de novembro, a polícia militar brasileira expulsou brutalmente os estudantes que ocupavam pacificamente um prédio da Universidade de São Paulo. A ocupação já acontecia há uma semana e protestava contra a presença crescente e incessante da polícia no campus. Essa presença se manifestou por meio de um enfrentamento extremamente violento no dia 28 de outubro, quando da tentativa de prisão de três estudantes por simples consumo de maconha.

A multiplicação de patrulhas desde setembro faz lembrar a ditadura militar e as intimidações aos estudantes se multiplicam. Além disso, a política ultra-securitária e repressora das autoridades brasileiras se mostra totalmente ineficaz e improdutiva. Em seguida à repressão policial, um movimento de estudantes de amplitudes históricas se desenvolve na Universidade de São Paulo, com assembléias gerais massivas e uma extensa lista de reivindicações.

As forças da polícia e da repressão não têm lugar garantido na universidade ou na escola, locais de compartilhamento do conhecimento e de emancipação social. A Federação SUD Étudiant condena essa prática de tutela policial na Universidade de São Paulo e afirma sua inteira solidariedade com as/os estudantes mobilizadas/os. No Brasil como no exterior, resistamos aos regimes securitários e policialescos!

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Pas de police sur les campus! Soutien aux étudiant-e-s de São Paulo!

Le 8 novembre, la police militaire brésilienne a expulsé brutalement les étudiant-e-s qui occupaient pacifiquement un bâtiment de l`université de São Paulo. L’occupation était tenue depuis une semaine pour protester contre la présence croissante et incessante de la police sur le campus. Cette présence s’était manifestée par des affrontements d’une rare violence le 28 octobre autour de l’arrestation de 3 étudiant-e-s pour une simple
consommation de canabis.

La multiplication des patrouilles depuis septembre fait planer de vieux souvenirs de la dictature militaire chez certain-e-s enseignant-e-s et les intimidations d’étudiant-e-s se multiplient. La politique ultra-sécuritaire et répressive des autorités brésiliennes se montre de plus totalement inefficace voir contre-productive. En effet, suite à la répression policière, un mouvement étudiant d’une ampleur historique se développe sur l’université de São Paulo, avec des assemblées générales massives et une extension des revendications.

Les forces de police et la répression n’ont pas leur place à l’université ou à l’école, lieux de partage du savoir et d’émancipation sociale. La Fédération SUD Etudiant condamne cette mise sous tutelle policière de l`Université de São Paulo et affirme son entière solidarité avec les étudiant-e-s mobilisé-e-s. Au Brésil comme ailleurs, résistons au régime sécuritaire et policier!

A Faculdade de Direito apóia a Greve dos Estudantes da USP
O mês de Novembro tratou de traçar momento histórico nunca visto antes pelos estudantes da Universidade
de São Paulo, fomos tomados de surpresa por ações incisivas e violentas da Polícia Militar, para a
partir de então, tomar movimento e denunciar as injustiças que perduram em nossa sociedade. Daí em diante
tornou-se fato, há um movimento estudantil que se ergue. Surge para questionar e exigir mudanças profundas
nas estruturas de poder. Partimos em busca do impossível, mas necessário, e os estudantes, portanto, passam a
exigir o rompimento do atraso e o fim dos absurdos que tomam nossa realidade.
Deve-se aqui traçar um breve histórico dos acontecimentos. A fins de outubro três estudantes foram
abordados pela Polícia Militar, acusados de fumar maconha no estacionamento da FFLCH. Outros estudantes
que estavam no local, de forma espontânea, partiram para rechaçar o que ali se passava. Reforços policiais
foram chamados e, com violência, os estudantes foram acuados. Depois de mais um evento de repressão policial,
os estudantes deicidiram por ocupar a administração da FFLCH. Após estes primeiros impulsos, surge um
fato desencadeado por uma Assembléia conflituosa: a ocupação da reitoria. Estudantes permanecem alguns
dias em ocupação até um dos mais lamentáveis atos de demonstração de poder ocorridos na história da USP. A
mando do Reitor João Grandido Rodas, a tropa de choque entra na Cidade Universitária e retira violentamente
os estudantes ali acampados. Um espetáculo midiático , um marco da violência e falta de dialogo. Foram designados
para a ação um contingente evidente em suas desproporções. Dois helicópteros, 400 policiais, cavalaria
e 50 veiculos. Os 72 estudantes que estavam na reitoria foram dali retirados para se- rem acusados no sistema
penal. Permaneceram o dia todo em um ônibus no estacionamento do 91º DP e somente obtiveram liberdade
após pagamento de Fiança. O que não marcou a retração dos estudantes, mas sim expectativas de avançar,
agora em massa. Foi o momento da Assembléia histórica ocorrida na FFLCH, todas e todos, juntos, decidiram
por entrar greve. A greve geral se expandiu por diversos cursos. O próximo passo foi um ato com mais de 5 mil
pessoas no centro, culminando em outra Assembléia Geral, desta vez, ocorrida no Salão Nobre da Faculdade
de Direito. A ultima Assembléia ocorreu na FAU, na ultima quinta-feira. Assembléias cada vez maiores e com
mais adesões, com mais força e mais esperança de vitórias.
A Faculdade de Direito, que partilha do mesmo universo no qual está inserido o movimento, decidiu
em Assembléia Geral que a questão da greve seria votada em urnas no pátio, nos dias 20 e 21 desse mês. Mas,
na mesma Assemblía, os estudantes da São Francisco votaram por declarar apoio à Greve e aos cinco eixos que
compõem as reivindicações do movimento. São os cinco eixos:
1- Retirada de todos os processos movidos contra estudantes por motivos políticos.
2- Fora PM! Pelo fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública.
3- Liberdade aos presos e nenhuma punição administrativa ou criminal.
4- Fora Rodas.
5- Outro projeto de segurança na USP.
Após a Assembléia da Faculdade de Direito foi inserido mais um eixo, que é: “Por uma estatuinte soberana
já”.
Entendemos que a história se traça no presente e que os estudantes mobilizados pedem mudanças. Para
superar as sempre velhas injustiças, para se pronunciar frente aos absurdos e ao inaceitável. A luta agora aponta
para a USP e sua antidemocrática estrutura de poder, mas entendemos que a luta é maior e mais com- plexa.
A luta dos estudantes veio de problemas da nossa Universidade, mas não tão somente nossos, estes vão muito
mais além dos muros da Cidade Universitária. Trata-se da luta contra uma Polícia Militar que carrega índices
inaceitáveis de violência, uma Polícia que carrega um alto número de homicídios executados em serviço, que
criminaliza a pobreza, movimentos sociais e, agora, o movimento estudantil. Uma Polícia que não está sob
controle da sociedade civil, militarizada e protegida por jurisdições especiais, que encontra garantias nos tribunais
militares. Os estudantes se posicionam contra uma Polícia presente no campus para afastar mais ainda a
Universidade da população.
A luta é pela construção de uma universidade pública, popular e democrática. A bandeira ”Fora Rodas!”
marca a luta. Sabemos que a bandeira não trata somente da figura do reitor, pois estes vem e vão, mas
sim, de toda uma estrutura de poder, que restringe a escolha de novos reitores a menos de 1% de professores,
funcionários e estudantes, que elgem uma lista com três nomes, e como se já não fosse tão antidemocrática essa
escolha, cabe ao Governador do Estado a decisão final. Deve-se retirar do Governador do Estado a competência
de decidir quem virá a ser o reitor da Universidade. Que sejam os professores, funcionários e estudantes
quem decidam em nome da USP.
Por isso, nós, estudantes do Largo de São Francisco, declaramos todo apoio à greve, e seus respectivos
eixos políticos, dos estudantes e reivindicamos abertamente mudanças nas estruturas de poder da Universidade.
Para que as idéias possam ser livres, para que a produção acadêmica pense os problemas da realidade,
para que superemos os erros do passado em direção à uma sociedade mais justa e mais igual.
Por fim, nós, delegados representantes da Faculdade de Direito no Comando de Greve, convidamos
todos e todas para o Ato que acontecerá na terça-feira, dia 22, no Páteo das Arcadas.