Equívoco do MEC prejudicará a qualidade da informação

Publicado: 6 de novembro de 2009 por csouzaramos em Comunicações, Educação
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Mudança no paradigma da Comunicação Social, por meio do MEC e a pergunta que não cessa: será mesmo o fim de Produção Editorial, uma habilitação indispensável ao progresso da educação?

Por Gregory Oliveira Neres

Não estou aqui para criticar os profissionais que atuam no mercado editorial mesmo sem serem produtores editoriais de formação superior; é cada vez mais inegável a qualidade do trabalho que desenvolvem, pois ocupam vagas altamente competitivas.

Muito menos escrevo este manifesto no intuito de crucificar a difusão de conhecimentos a um público que cresce satisfatoriamente, vide os cursos técnicos de design editorial e publicações, porém a última decisão do Ministério da Educação e Cultura de nosso país foi a gota d’água.

Um segmento tão essencial ao desenvolvimento da história da humanidade e de diálogo entre gerações afastadas temporal e geograficamente como o de livros jamais deveria sofrer um golpe tão profundo: profunda ironia do destino, de um ministério que pressupõe o nosso trabalho no desenvolvimento de produtos didáticos a fim de propiciarem a educação brasileira.

Primeiro, encerrar com o caráter heterogêneo do curso de Comunicação Social, que por ter um ciclo básico semelhante às habilitações que o legitimam possibilitam um contato incrivelmente abrangente entre seus alunos, e mais: permitem aos mesmos desenvolverem competências capazes de suprir as necessidades dos mais variados públicos.

Um recorte no desenvolvimento dos meios de comunicação, suas teorias, relações com as artes plásticas, gráficas e áreas conexas (como psicologia, antropologia, economia e administração) imprimem ao universitário uma visão crítica da sociedade na qual o mesmo encontra-se inserido, garantindo mais responsabilidade e compromisso ético em seu âmbito de atuação. Perder todo esse aparato teórico, dissociando as habilitações consiste em um grande equívoco, pois empobrece tanto o mercado profissional quanto a pesquisa acadêmica ao retirar as enriquecedoras trocas de informação no convívio diário.

A transformação do curso de Produção Editorial em tecnólogo encerra mais um capítulo de recusa da realidade. Afastar a base de comunicação do profissional da área limita sua capacidade de elaborar ferramentas que visem tanto a absorver as demandas de um mercado continuamente em expansão quanto no tratamento ético dado ao que é concebido, o qual é de suma importância para o exercício da carreira, tendo o ciclo básico como um aliado imprescindível a esse viés.

Além disso, a desvalorização da carreira em detrimento do inchaço de eventuais prestadores de serviço (como freelancers) no exercício das diversas atividades do meio a transformaria em mais uma esfera sem sentido do capitalismo. Este aumento de competitividade poderia levar o mercado editorial a uma iminente saturação, perfeitamente deplorável ao gerar a instauração de um status quo onde os profissionais passariam a atentar infinitamente mais para os seus ganhos individuais do que à produção de primoroso material que passa pela inicial preocupação de corresponder aos anseios de um público específico. É o total e irrestrito aniquilamento de um ideal de carreira, sucumbindo aos apelos da política do capital.

Será que todos os defensores da proposta pensaram em todos esses aspectos ao germinarem suas diretrizes de alteração? E o leitor, onde é que fica? A preocupação com o receptor, o qual depende de uma série de fatores para ver correspondido seus anseios na produção dos materiais, como, por exemplo, o público idoso, que necessita de um maior espaçamento entrelinhas e uma fonte de corpo superior ao habitual com a ideia essencial de não prejudicar a tão fatigada visão. Será que os ministros e demais deliberadores refletiram sobre essa atualíssima vertente? Todos os membros do segmento de atuação mantem, junto com sua ética profissional, preocupações como essa?

Fica o apelo, comum a todos os estudantes e pessoas sensatas que vêem a medida como algo prejudicial à constituição da sociedade como um todo, de maneira igual aos leitores, vítimas inquestionáveis do concernente equívoco: sociedade esta que tem no profissional de comunicação um aliado fundamental na difusão da informação, a qual perderá completamente o sentido de sua qualidade ao descaracterizarem essa importante área do saber.

Publicado originalmente no blog Produção Editorial da UFRJ.

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comentários
  1. Essa luta é toda nossa. Reverteremos esse quadro! Abraços e grato pela consideração!

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