Estudantes ocupam sede da Coseas

Publicado: 18 de março de 2010 por clararoman em USP
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Segundo fontes, desde as 2h da madrugada de hoje a (18/3) a Coseas (Coordenadoria de Assistência Social da USP) está ocupada por cerca de 60 moradores do CRUSP (Conjunto Residencial da USP) e por estudantes que estão pleiteando uma vaga de moradia. A decisão foi tirada em assembléia, que aconteceu entre as 23 e 2h. A reivindicação é por mais vagas de moradia e fim da vigilância da Coseas.

A porta de entrada do local está quebrada e há cerca de cinco membros da guarda universitária no local, acompanhando tudo de longe com uma filmadora/camera. Suspeita-se que os guardas estejam consultando o livro dos moradores (onde suas ações são registradas) para identificar os participantes da ocupação e que seus nomes estejam sendo anotados numa lista.

Abaixo, release sobre os motivos da ocupação.

Do Coletivo Aroeira

Diante da falta de vagas na moradia que deixou neste ano de 2010 mais de cem
inscritos para alojamento emergencial sem um teto e sem condições materiais
p/estudar;

Diante do atraso da reitoria na conclusão da obra do novo bloco da moradia
que, segundo acordo, deveria estar pronto no início de 2009;

Diante das expulsões arbitrárias (despejo) de estudantes moradores do CRUSP
sem aviso prévio, sem direito de defesa e durante a madrugada, chegando ao
ponto de barrar o acesso dos despejados a qualquer um dos blocos da moradia;

Diante do fim do Programa Bolsa Trabalho, que deixou muitos estudantes de
baixa renda sem condições de concluir seus cursos sem apoio financeiro;

Diante das irregularidades constatadas no processo de “seleção
sócio-econômica” , realizadas pela Coordenadoria de Assistência Social da
USP p/ concessão de bolsas;

Diante da tentativa de privatização do espaço da moradia cedido pela USP ao
banco Santander sem consentimento dos estudantes e moradores do CRUSP;

Diante das péssimas condições a que são submetidos os trabalhadores dos
restaurantes universitários administrados pela Coordenadoria de Assistência
Social da USP e, principalmente dos restaurantes terceirizados por meio
deste orgão e da reitoria desta universidade;

Considerando que a Coseas tem demonstrado por meio de suas políticas e
provado, por meio de documentos (guardados a sete chaves), estar a serviço
da vigilância e violência contra os moradores, por meio da elaboração de
relatórios invasivos sobre a vida particular (práticas tipicas da ditadura
militar);

Considerando, ainda, que a função de promover políticas de permanência
estudantil não tem sido cumprida pela COSEAS, ao contrário, este órgão, a
serviço da reitoria da USP, tem trabalhado sempre no sentido de dificultar o
acesso do estudante aos programas de permanência;

Considerando que permanência estudantil e um direito!;

Nós, estudantes, moradores do CRUSP e candidatos sem vaga na moradia,
resolvemos ocupar o espaço do térreo do bloco G, que originalmente era nosso
mas estava sendo utilizado pela Coordenadoria de Assistência Social.
Retomamos o espaço, queremos:

MAIS VAGAS NA MORADIA!

TRANSPARÊNCIA NOS PROCESSOS SELETIVOS PARA OS PROGRAMAS DE PERMANÊNCIA!

CONTRATAÇÃO DE MAIS FUNCIONÁRIOS E MELHORIA NAS CONDIÇÕES DESUMANAS DE
TRABALHO E ATENDIMENTO NOS RESTAURANTES!

FIM DAS EXPULSÕES ARBITRÁRIAS DE ESTUDANTES DA MORADIA!

FIM DO SERVIÇO DE VIGILÂNCIA E DA PRÁTICA DE VIOLÊNCIA IRREGULAR DA
COORDENADORIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL!

AUTONOMIA DOS ESTUDANTES NO ESPAÇO DA MORADIA E NOS PROCESSOS SELETIVOS PARA
OS PROGRAMAS DE PERMANÊNCIA!

CONCLUSÃO DAS OBRAS DO NOVO BLOCO DA MORADIA!

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comentários
  1. Will disse:

    Concordo com todo o texto com duas exceções:

    – o “principalmente” usado para os bandeijões tercerizados… quando a qualidade da comida nesses bandeijões é muito superior a dos bandeijões não tercerizados! Muito superior. (não que seja ótima)

    – Acho que é ingenuidade querer tirar a vigilância da portaria dos prédios. Já existem roubos com essa vigilância mínima… imagine sem nenhuma vigilância! (o que poderia sugerir nesse caso seria a manutenção das informações sobre entrada e saída de pessoas apenas por 48hs, para o caso de necessidade policial, evitando o uso dessas informações pelo COSEAS)

  2. Dariane disse:

    Acho bastante extremista esta iniciativa de alguns estudantes em buscar “justiça” sem ao menos pensar que muitos outros estudantes que também dependem dos benefícios concedidos pelo COSEAS podem estar sendo prejudicados. Considero essa ocupação totalmente anti-democrática, pois os responsáveis por essa ocupação buscam seus direitos sem pensar que desrespeitam os direitos de outros!!!

  3. marcio disse:

    Moro na são remo, estudo numa universidade particular e não tenho restaurante a 1,90 telefone, água e luz grátis, pior, além de pagar as minhas contas tenho que pagar a de vocês. porque não abrir um restaurante pra moradores da são remo ou comunidades carentes? quem tem privilégio só ver o seu e esquece da maioria…

  4. marcio disse:

    os relatórios fazem parte da rotina do trabalhador do crusp que precisa zelar pelo patrimônio, além de manter a segurança. Caso suma algum patrimônio ou seja destruido, o relatório documenta as possíveis causas ou pessoas responsáveis maquele momento, pois se faltar algo nas áreas comuns com certeza irão reclamar por algo novo.
    No caso do bebê como hospede irregular foi conselho tutelar quem venho buscar a criança , pois os pais estavão bêbados e maltratando a criança e foi denunciado pelos próprios moradores.
    Expor relatórios com os nomes dos funcionários pode causar transtornos para vida social e psicológica e è caso de se pedir na justiça por danos morais.

  5. marcio disse:

    otérreo do bloco f também serve como opção de moradia, além do DCE, que tal essa aternativa, aumenta o número de vagas e se pode misturar todo mundo sem necessdade de separação por sexo. pedir para os que não têm mais direitos saiam, os que terminaram o curso, que já trabalham e ganham bem: os mestrando e doutorando, afinal já estõ formados e devem se sustentar, afinal de contas minha mãe e meu pai, nordestinos já se cansaram de pagar privilégios pra esses pobres carentes. não tem nenhum necessitado nas filas dos bandeijões da usp

  6. thiago calc disse:

    Will:
    – sobre a terceirização, acho nociva, pois desobriga o estado de sua obrigação e reduz os direitos dos contratados, criando duas castas de funcionário. acho que devemos reivindicar a melhoria geral da alimentação sim!
    – sobre a vigilância, o movimento é favor de que a profissão de “agentes de segurança” deixe de atuar como faz atualmente. que proteja o morador contra ameaças externas e não vigie a vida pessoal e política do morador.

    Dariane:
    – as reivindicações da ocupação não se limitam à moradia. dizem respeito a toda a política de permanência da usp. o movimento já protocolou carta à coseas dizendo que está à disposição para entregar os documentos necessários à continuação do processo seletivo, que possam estar no bloco G.

    • Eduardo disse:

      Olá Thiago, tudo bem?
      Tudo bem: também era contra as terceirizações por achar que isso prejudica os funcionários, limita ou extingue seus “direito adquiridos” etc. Mas será que os funcionário, quando iniviam suas greves intermináveis para garantir unicamente o aumento de seus salários que, em geral, estão muito acima da média, pensam nos alunos? Será que quando as bibliotecas entram em greve eles pensam nos alunos? Será que pensam nos que precisam andar de circular ou no bem da comunidade como um todo? Será que o “companheiro” Brandão um dia pensou nos alunos que ele já agrediu fisicamente?NÃO!
      Então, com todo respeito, me reservo o direito de também não pensar neles, pois a consideração jamais foi recíproca. Para mim, isso cheira a proselitimo e me espanta o fato de entidades que teoricamente deveriam representar os estudantes gantem tempo e energia para defender quem pode muito bem fazer isso por si mesmo.

  7. thiago calc disse:

    marcio:
    – acho que devemos nos mobilizar e pressionar o governo do estado para a abertura de mais restaurantes populares. mas hoje o movimento não tem a força que lhe permita somar essa demanda em sua pauta de reivindicações.
    – elaborar relatórios sobre a vida pessoal e política dos moradores pode causar transtornos para vida social e psicológica e pode-se pedir à justiça danos morais. com autonomia na gestão do crusp, os trabalhadores estarão a serviço daquilo que os moradores entenderem ser segurançae e não teríamos mais problemas nesse sentido.
    – hoje, os dois primeiros andares do bloco G já estão funcionando em modelo de auto-gestão como moradia. mas quanto à reivindicação por mais vagas, preferimos a alternativa de construção de novos blocos a morar na ocupação do dce.
    – evidentemente aqueles que terminaram seus cursos devem ter prazo para deixar a moradia. mas essa saída deve ocorrer de dia, pacificamente, depois de devidamente verificada pelos moradores.

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