Assembleia dos estudantes da ECA – Quarta (19), 12h e 18h

Publicado: 19 de maio de 2010 por Lupe Cotrim em Uncategorized

Assembleia dos estudantes da ECA

Quarta (19), às 12h e 18h, na Vivência

Univesp e Permanência estudantil

Convidamos todas e todos os ecanos para a próxima assembleia dos estudantes da ECA, que acontecerá na quarta-feira (19), às 12h e 18h, na Vivência. Nela, trataremos de assuntos importantes que estão na ordem do dia na universidade: a implementação da Univesp e as ameaças à permanência estudantil.

Anualmente, mais de R$ 3 bilhões do orçamento do Estado de SP são gastos para manter a USP, o que representa mais ou menos 4% de todo o orçamento estadual. Esse dinheiro é arrecadado do ICMS pago por toda a população. Contudo, por taxar produtos e serviços, o ICMS incide proporcionalmente mais nas camadas mais pobres da população. Quer dizer, ao comprar uma lata de óleo, tanto o sujeito que ganha um salário mínimo, quanto o que recebe R$ 10 mil por mês vão pagar a mesma quantia de ICMS.

Ora, o que queremos dizer com isso é que a USP é uma universidade pública. E tudo o que é público teria que, por princípio, servir a toda a população. Está claro que isso não acontece: o Estado capitalista, comprometido com outros interesses, não é capaz de garantir a todos o acesso ao Ensino Superior público. Como resultado, a maior parte da população é excluída da universidade pública.

Além de impedir o ingresso da maioria da população, a universidade fere o seu caráter público e se submete às regras do capital ao não se constituir como o núcleo duro e autônomo de crítica da sociedade e, ao contrário, se curvar aos mandos e desmandos do mercado. Isso pode ser percebido na presença cada vez maior de fundações e de cursos pagos na universidade.

Sabemos que um cenário ideal, em que todos e todas tenham acesso garantido à universidade e no qual as práticas acadêmicas não sejam determinadas/ influenciadas pelo mercado, está muito distante. Contudo, entendemos que precisamos nos opor a toda e qualquer ação que ameace o caráter público e da universidade.

Nesse sentido, acreditamos que é fundamental que estudantes, funcionários e professores apresentem respostas firmes contra algumas ações da reitoria da USP e do governo do Estado de São Paulo que colocam em xeque a já fragilizada universidade pública, que, por princípio, deveria ser gratuita, crítica, de qualidade e comprometida com a população que a financia. Uma das ações é a implementação da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), programa de ensino superior à distância do governo do Estado. A outra são as medidas que reduzem e precarizam a permanência estudantil.

Na calada da noite, Univesp chega à USP

A Univesp, que já se faz presente em alguns cursos da Unesp, seria implementada na USP no segundo semestre do ano passado, mas, por conta da mobilização dos estudantes, o governador José Serra – que inclusive já afirmou ter muita “desconfiança” da educação à distância – recuou e adiou a implementação do programa para este ano. Na calada da noite, o reitor da USP, João Grandino Rodas, assinou o convênio para implementar oficialmente a Univesp na USP em março deste ano.

È importante dizer que os cursos oferecidos pela Univesp prevêem apenas uma aula presencial por semana e a mesma carga horária das aulas presenciais (aos sábados) em aulas à distância, via televisão e internet. Ou seja, o estudante do Univesp é privado do direito de viver organicamente a vida universitária. As relações estudante-professor e estudante-estudante , fundamentais para o aprendizado e para a construção do conhecimento, são prejudicadas, praticamente deixam de existir com a Univesp.

Além disso, o programa rompe com conceitos elementares de uma universidade pública, como realização da pesquisa e da extensão. O falso argumento da reitoria e do governo contra os críticos do Univesp é que somos conservadores, porque nos colocamos contra o uso das novas tecnologias no ambiente acadêmico. Sabemos que o uso da tecnologia pode ser muito importante e deve sempre acompanhar o desenvolvimento acadêmico, mas jamais pode substituir o essencial, que é justamente a vivência do estudante no ambiente universitário e todos os processos que envolvem a produção de conhecimento.

Vale lembrar também que a elaboração do projeto da Univesp se deu a portas fechadas, entre apenas alguns professores, sem participação da comunidade acadêmica. Soma-se a isso o fato de que a implantação da Univesp tem um forte componente eleitoreiro: é uma resposta de Serra (que será usada à exaustão nas eleições presidenciais) à ampliação de vagas promovida pelo governo Lula. Detalhe: o governo federal triplicou as vagas em universidade federais, mas o fez sobretudo com a abertura de vagas à distância, que, em geral, possuem as mesmas deficiências da Univesp.

Nessa primeira etapa de implementação da Univesp na USP serão abertas 360 vagas de licenciatura em ciências. Entendemos que, nesse momento, é crucial que os estudantes se oponham ao projeto e se organizem para barrar de vez a Univesp. Se permitirmos a realização dessa primeira etapa, abriremos a prerrogativa para o governo intensificar a abertura de vagas à distância na USP e esquecer de vez a ampliação real de vagas.

Permanência estudantil pra quê?

Outro problema que os estudantes estão enfrentando atualmente é com relação à permanência estudantil. Para um estudante de baixa renda, a falta de um lugar para morar e de condições para se alimentar podem significar a desistência de cursar o ensino superior. Recentemente, os moradores do Crusp vêm passando por muitas dificuldades para cursar a graduação na USP. Não há moradias suficientes e as condições de permanência oferecidas pela universidade são precárias.

É importante lembrar que a reitoria não cumpriu a promessa feita em 2007, na época da ocupação da reitoria, de construir dois blocos de moradias. Além disso, a política de segurança adotada no Crusp ameaça claramente a liberdade de organização e de vivência entre os estudantes. No texto da nova política de vigilância para o Crusp, redigido pela Coseas (Coordenadoria de Assistência Social), há um artigo que alerta para o perigo contido em “reuniões políticas” organizadas por moradores e propõe abertamente aumentar o controle e a vigilância dos cruspianos. A comparação com os anos de chumbo é inevitável!

Em protesto contra essa política de segurança e para exigir a ampliação da assistência estudantil e a entrega dos novos blocos de moradias, moradores do Crusp ocupam há dois meses a sede da Divisão de Promoção Social (DPS) da Coseas. Por conta do movimento, a coodenadora da Coseas, Rosa Godoy, foi retirada do cargo pela reitoria. Para fortalecer a ocupação e aumentar a pressão sobre a reitoria e a Coseas, a fim de garantir a exigência dos moradores, precisamos buscar meios de ajudar a construir a luta dos cruspianos e de fazer valer as exigências da ocupação.

Mas não é só os moradores do Crusp que enfrentam problemas com permanência. Na ECA, os estudantes da Escola de Artes Dramáticas (EAD) não tem direito de uso preferencial do Hospital Universitário, nem ao subsidio do bandejão, nem a vagas no CRUSP – apesar destes estudantes estudarem dentro das dependências da USP.

Para debater esses e outros assuntos é fundamental a presença massiva dos estudantes da ECA na assembleia.

Assembleia dos estudantes da ECA

Quarta (19), às 12h e 18h, na Vivência

Univesp e Permanência estudantil
CALC – Centro Acadêmico Lupe Cotrim
Gestão Levante!
ECA – USP 2010

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s