PLEBISCITO NOVA ECA

Publicado: 14 de novembro de 2010 por Lupe Cotrim em Artes, Comunicações, ECA, Nova ECA, Uncategorized
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PLEBISCITO NOVA ECA
Vamos fazer
nossa voz ecoar

Reunião de organização na terça (16), 18h, no CALC
Urnas abertas na quarta (17)

A ECA atual, como nós conhecemos, com mais de 44 anos de história, pode estar com os dias contados: a diretoria da unidade e a reitoria da USP avançam com a aprovação da proposta de construção de uma “Nova ECA”, em substituição à atual.

Pouco se sabe ainda sobre esse projeto. A única informação que temos é que a Nova ECA deverá ser construída na área hoje ocupada pelos barracões, em frente ao Instituto de Psicologia, e que as dependências atuais darão lugar a repartições da reitoria –inclusive os espaços do Centro Acadêmico, Atlética, Vivência, Canil, Prainha, Sintusp, Adusp e projetos de extensão.

Como será exatamente a Nova ECA? Qual é o projeto arquitetônico? Quanto custará a obra? De onde virão os recursos? Os espaços estudantis e sindicais serão garantidos? A ECA cabe lá nos barracões? A reitoria precisa de tanto espaço assim? São perguntas que escutamos de estudantes, funcionários e até de professores, mas que até o momento estão sem respostas.

Apesar disso, a construção da Nova ECA já foi aprovada em dois conselhos da unidade: o CTA (Conselho Técnico-Administrativo) e a Congregação (maior instância de poder da unidade), mesmo sem que qualquer detalhe do projeto tenha sido apresentado. E, o pior de tudo, foi aprovada sem saber se a comunidade acadêmica e as entidades que serão afetadas pelo projeto querem uma Nova ECA.

Ou seja, aprovaram o incerto, um projeto completamente obscuro, que afetará 5.000 professores, estudantes e funcionários, além de grande parte da comunidade uspiana e externa que frequenta a ECA. A falta de transparência denota total irresponsabilidade no trato com o espaço e com o recurso público.

 O desrespeito ao dinheiro dos trabalhadores que financiam a universidade é maior ainda se considerarmos que várias reformas feitas recentemente serão desperdiçadas com a Nova ECA.

 O exemplo mais emblemático é o CTR (Departamento de Cinema, Televisão e Rádio), que, depois de quase uma década de reforma que consumiu vários milhões de reais, foi reinaugurado em 2008. O mesmo ocorrerá com várias instalações da Coordenadoria de Comunicação Social (CCS), como a Rádio USP, que passou por ampla reforma recentemente.

DECISÃO DE CÚPULA

 Além do projeto em si, também é imprescindível fazer uma reflexão sobre a forma como a Nova ECA foi aprovada. O projeto foi proposto pelo reitor João Grandino Rodas ao diretor da ECA, Mauro Wilton, no primeiro semestre. Algum tempo depois, em meados de setembro, a Nova ECA foi aprovada no CTA por menos de uma dúzia de professores, sem que houvesse qualquer debate público ou qualquer esclarecimento sobre o projeto.

A discussão e aprovação da Nova ECA passaram ao largo do corpo discente, dos funcionários e inclusive da ampla maioria dos professores. Podemos afirmar, sem medo de errar, que foi uma decisão de cúpula!

Diante disso, o CALC organizou, em 20 de outubro, uma plenária com o diretor Mauro Wilton para que fossem feitos os esclarecimentos necessários em torno da Nova ECA. O diretor explicou que nada foi definido e nos garantiu que, a partir dali, as decisões sobre o projeto seriam tomadas de forma absolutamente democrática, com a participação de todas as categorias.

Exigimos, na ocasião, que para garantir a democracia –de fato e de direito– era fundamental que em todas as instâncias de discussão e aprovação houvesse representação paritária, ou seja, a mesma quantidade de professores, estudantes e funcionários com direito a voto. Na ocasião, Mauro Wilton garantiu que nenhum passo mais seria dado sem a ampla participação da comunidade acadêmica.

Não foi o que aconteceu. Uma semana depois, na quarta-feira (27/10), a Congregação da ECA –cuja composição é de 90% de professores e 10% de estudantes e funcionários– também aprovou o projeto. A votação pegou estudantes e funcionários de surpresa: não havia, na pauta, uma indicação clara de que a Nova ECA seria votada, apenas o vago item “discussão das novas instalações da ECA’.

Além disso, os representantes discentes (RDs) receberam a pauta somente dois dias antes da reunião, o que inviabilizou qualquer discussão com a comunidade discente. Não podemos deixar de registrar que ao adotarem uma posição contundente contra a aprovação do projeto naquele momento, os RDs foram alvo de agressividade e coação por parte de alguns docentes que ali estavam.

NÃO EXISTE DEMOCRACIA NA USP

A aprovação da Nova ECA na Congregação é um indício de que não há disposição da direção da unidade em discutir o projeto democraticamente, por meio de conselhos paritários. O episódio também é emblemático ao revelar a absoluta falta de democracia na USP. Nos conselhos, a representação de funcionários e estudantes é pura esmola. Mesmo um projeto que afetará a vida de todos e todas que vivem e viverão a ECA é decidido por uma minoria. Não estamos tendo a menor chance de dizer se queremos ou não a Nova ECA.

A Prainha, a Vivência, o Canil, lugares antes de tudo culturais, que mantém a ECA viva, integrada, ou seja, verdadeiramente pública, podem deixar de existir. Querem tirar os nossos espaços atuais e sequer estão nos permitindo participar da construção do novo. A ausência de democracia faz ainda com que se escorra pelo ralo tudo o que foi discutido ao longo do ano no Fórum da Graduação.

Não somos contrários à modernização e ampliação dos espaços. Essas medidas são fundamentais para viabilizar a expansão de vagas e a qualidade da universidade pública, bandeiras que defendemos. O que somos contrários é o autoritarismo que se manifesta permanentemente na USP–mais do que em qualquer outra universidade pública brasileira– desde a sua fundação.

Diante de tudo isso, acreditamos que estudantes, funcionários e docentes insatisfeitos com o modo pelo qual a Nova ECA está sendo tocada, devem se mobilizar e pensar em formas de atuação para garantir que tudo seja decidido democraticamente –sobretudo a aprovação ou não de uma Nova ECA–, de forma paritária e com transparência. E que os espaços de todas as entidades que estão hoje na ECA sejam garantidos dentro de um novo projeto estrutural, seja ele qual for. Não admitiremos a retirada dos espaços dos estudantes e dos trabalhadores.

Sendo assim, conforme decisão da última assembléia dos estudantes, organizaremos a partir de quarta-feira (17) um plebiscito sobre a Nova ECA

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