Diretoria ECA 2013-2016: Profª Dora Mourão

Publicado: 19 de outubro de 2012 por Lupe Cotrim em Uncategorized

PROPOSTA PARA A ECA – GESTÃO 2013/2016

Maria Dora Genis Mourão

Aos docentes, funcionários e alunos,

Submeto minha candidatura ao cargo de Diretora da Escola de Comunicações e Artes para o período 2013/2016.

Entendam essa decisão como resultado de uma trajetória de 45 anos dedicados à Escola e à Universidade iniciada na graduação e consolidada na pós-graduação e na docência, esta exercida desde 1972; além de ter ocupado, por várias vezes, cargos administrativos como, por exemplo, a chefia do Departamento de Cinema, Rádio e TV por duas vezes (8 anos). A experiência adquirida me permitiuser conduzida à Vice-Direção no período 2009/2012.

Além da experiência administrativa dentro da Universidade,ajudei a criar associações de ensino e pesquisa na área do cinema e audiovisual e presidi várias delas. Como exemplo cito o FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual do qual fui a 1a Presidente (2000 a 2007), a SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (2009 a 2013) e o CILECT – Centre International de LiaisondesEcoles de Cinéma et Télévision, sediado na Bélgica, do qual sou Presidente neste momento.

Não cabe neste documento tecer considerações sobre esse caminho, mas é importante dizer que sempre estive envolvida de maneira ativa nos rumos da ECA, tanto do ponto de vista acadêmico quanto politico, desde sua implantação, em 1967,até hoje; assim como há anos participo ativamente de ações vinculadas à política cultural brasileira desenvolvida pelo Ministério da Cultura, integrando comissões como representante de entidade na esfera federal e também estadual.Ainda, no âmbito do Ministério da Educação, participei da comissão que reviu e propôs as novas Diretrizes Curriculares para os Cursos Superiores de Cinema e Audiovisual aprovadas e implantadas em 2006.

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A ECA

O que me move a propor a candidatura à Direção é considerar a ECA uma Escola muito especial que eu aprendi a conhecer e para a qual me disponho a oferecer minha experiência na administração pública e na de associações civis.

A ECA tem 8 departamentos, além da Escola de Arte Dramática (EAD), que poderiam ser 8 unidades de ensino, dada a peculiaridade e especificidade de cada uma das áreas em que atua.

Se no passado houve um desejo de divisão entre as Comunicações e as Artes, hoje constatamos que a convivência pode ser estimulante. É uma Unidade com um perfil de produção artística e cultural muito significativo e com uma pluralidade de campos de pesquisa que passam pela pesquisa teórica, de linguagem, instrumental e técnica. Legitimar essa diversidade pode nos levar à vanguarda de uma discussão sobre essa coexistência, mas sem perder o respeito às especificidades, sejam elas de conteúdo, de modelos didático-pedagógicos e de infraestrutura técnica e de espaço.

Nessa perspectiva a ECA tem total condição de voltar a ser liderança na área mesmo tendo consciência de que o momento é outro. O ensino das comunicações e das artes está disseminado por todo o Brasil, e o papel que nos coube no passado de estar à frente de propostas diferenciadas para o ensino de graduação e de pós-graduação se diluiu frente ao crescimento da área.

Temos que levar adiante a renovação já iniciada recentemente, avançar na atualização e aprofundar a qualidade do ensino. Não foi à toa que em agosto deste ano o QS QuacquarelliSymonds Rankings divulgou uma lista, por disciplinas, na qual comunicação e mídia da ECA aparecem na 11º posição entre as melhores universidades do mundo, este mesmo ranking que foi o responsável por posicionar a USP como a melhor universidade da América Latina.

Essa posição no ranking nos dá a responsabilidade de repensar o lugar da comunicação num mundo que sofreu mudanças radicais como decorrência inclusive da revolução tecnológica. Da mesma maneira, pensar como as artes estão dialogando com essas mesmas mudanças é fundamental.

Um passo já foi dado na área da comunicação, com a implantaçãono Departamento de Comunicações e Artes da Licenciatura em Educomunicaçãoque aponta para a inter-relação entre a comunicação e a educação como intervenção social. Outros cursos estão sendo propostos, Redes e Comunicação Digital no Departamento de Relações Públicas, Publicidade e Turismo e Arquivologia e Museologia no Departamento de Biblioteconomia e Documentação.

As artes, atentas às novas discussões propostas pelos movimentos artísticos contemporâneos, se renova e tem proposto novos cursos, Sonologia no Departamento de Música, História e Crítica da Arte no Departamento de Artes Plásticas, Dança no Departamento de Artes Cênicas.

Pensando o conjunto da ECA, proponho desenvolver uma filosofia de integração que respeite as diferenças e que busque um equilíbrio entre as diversas áreas. Há qualidades específicas, mas é necessário perseguir a qualidade da ECA.

A ECA NO ÂMBITO INTERNACIONAL

A perspectiva da USP de ser uma Universidade de classe mundial deve encontrar respaldo na ECA. É essencial desenvolver ações de internacionalização, tanto para a Graduação como para a Pós-Graduação, aumentando o número de convênios visando, entre outras coisas, a expansão de pesquisas conjuntas, a dupla titulação, o intercâmbio de docentes e alunos. Também é importante encontrar soluções para que os servidores técnicos possam se atualizar nos centros especializados.

O potencial que há na ECA de desenvolvimento de projetos de alto nível, e a experiência internacional por mim adquirida em função das várias atividades desenvolvidas tanto na esfera acadêmica quanto política, me qualifica para desenvolver um trabalho de inserção da ECA no circuito internacional.

A ECA NO ÂMBITO NACIONAL

A Escola tem um histórico de atuação política e de ocupação de cargos em órgãos de apoio à pesquisa, em Ministérios e Secretarias Federais, Estaduais e Municipais vinculadas às áreas afins, tanto como instituição quanto através da participação de docentes e de ex-alunos em cargos de alto escalão e em comissões que elaboram projetos e propostas de políticas publicas que são implementadas pelos poderes constituídos.

Da mesma maneira, através de nossos programas de pós-graduação, somos formadores de uma grande porcentagem dos que hoje são docentes das Universidades brasileiras.

Este desempenho político-acadêmico é fundamental pois é o reconhecimento de nossa excelência e de nossa capacidade de formar lideranças.

Proponho a criação de um Conselho Consultivo, formado por esses docentes e ex-alunos que atuam no âmbito nacional, para que, a partir da experiência adquirida como lideranças, nos acompanhem numa reflexão sobre a ECA.

A ECA NO ÂMBITO DA UNIVERSIDADE

É fundamental que a ECA continue se fazendo presente nos debates relacionados aos assuntos que dizem respeito à política da Universidade, refletindo sobre temas basilares e levando propostas que espelhem nossa competência na produção de conhecimento.

Dois são os temas mais candentes neste momento: a política de cotas raciais e/ou sociais e a estrutura de poder na Universidade. É necessário avançar na discussão e definir propostas que representem nossa posição.

Por outro lado, devemos lutar para que as áreas de conhecimento das quais fazemos parte (artes e humanidades) sejam respeitadas nas suas especificidades e reconhecidas como um dos pilares da pesquisa e da produção artística dentro da academia.

Proponho encaminhar uma proposta de criação de um modelo de contrato docente diferenciado (sem a obrigatoriedade de fazer carreira acadêmica), de artistas reconhecidos e profissionais de alta qualificação que possam contribuir com a Universidade, neste caso com a ECA.

A ECA NO SEU PRÓPRIO ÂMBITO

Ter acompanhado de perto a atual administração na qualidade de Vice-Diretora, me permitiu ter uma visão de conjunto da ECA. Quando participamos da administração em cargos mais específicos dominamos uma parte, mas não o todo. E a complexidade da Escola,quando vista como um todo, é surpreendente e é o grande desafio da gestão administrativa.

Dentro da atual politica de gestão, que descentralizou parte das atividades apoiando-se em um trabalho coletivo, fui responsável por coordenar algumas ações. Cito as mais recentes: a proposta do novo organograma administrativo (funcional) já enviado e aprovada pelos órgãos centrais; a preparação do pedido de vagas docentes temporárias (pedido já atendido); a preparação e consolidação da demanda dos departamentos referentes anovos cargos/claros docentes (encaminhado e aguardando resposta).

Nos últimos 4 anos muito foi feito, mas ainda há a necessidade de consolidar ações iniciadas e avançar nas transformações imprescindíveis para que a Escola esteja em consonância com as mudanças da sociedade contemporânea.

Muitos dos cursos da ECA estão há muitos anos entre os 10 primeiros na demanda do vestibular da USP, o que demonstra o interesse da sociedade pelas áreas em que atuamos.

Para responder a este interesse, melhorando cada vez mais a qualidade do ensino, da pesquisa, e das ações de cultura e extensão, é fundamental:

1. Lutar para recompor o corpo docente com o intuito de fazer frente às mudanças de paradigmas nos campos das comunicações e das artes e para atender às atualizações curriculares dos cursos existentes;

2. Criar condições estruturais para a efetiva implantação das atuais propostas de novos cursos de graduação que atenderão aos projetos político-pedagógicos dos Departamentos da ECA (Sonologia, História e Crítica da Arte, Arquivologia e Museologia, Redes e Comunicação Digital, Dança);

3. Avançar na melhoria da infraestrutura dos Programas de Pós-Graduação com o objetivo de dar as condições necessárias para alcançar o nível de excelência desejado. Apoiar a ampliação de novos programas na perspectiva de atender a áreas ainda não contempladas e criar condições estruturais para a implantação de Mestrados Profissionais para qualificar aqueles que já estão inseridos no mundo do trabalho.

4. Incentivar a pesquisa acadêmica, através do apoio aos grupos, aos núcleos, à pesquisa individual, e através da implantação de um Laboratório Multidisciplinar de Redes de Alta Velocidade. Esse Laboratório acolheria projetos de pesquisas avançadas focadas no desenvolvimento de redes colaborativas que permitam a produção de obras, a difusão e o intercambio de resultados de alta qualidade tecnológica (alta definição) no âmbito das mídias digitais processadas pelas artes e pelas comunicações. A intenção é oferecer um espaço concreto para desenvolver projetos interdisciplinares e multidisciplinares, espaço que teria forte impacto em todas as áreas de atuação de nossa Escola (graduação, pós-graduação, pesquisa, cultura e extensão);

5. Incrementar a área de cultura e extensão com o objetivo de ampliar a função social da Escola retomando uma ação de política cultural mais intensa e coerente com nossa diversidade acadêmica e artística;

6. Possibilitar à Escola a visibilidade institucional necessáriapara que amplie seu reconhecimento como uma instituição de ensino e pesquisa paradigmática.

7. Apoiar as atividades discentes (culturais, de lazer, de reflexão) que, com responsabilidade e em dialogo com a Escola, mas sempre respeitando a liberdade de ação dos diferentes segmentos, busquem garantir a qualidade desta instituição pública de ensino universitário.

8. Garantir que a carreira dos servidores técnicos e administrativos da ECA, e a consequente avaliação de desempenho, seja implementada com transparência e responsabilidade, com o objetivo de qualificar nosso corpo funcional. O ProQual – Programa Permanente de Qualidade e Produtividade da ECA, é um instrumento fundamental através do qual o servidor encontra o apoio necessário para sua atualização e ampliação de seus conhecimentos.

9. Lutar para que o projeto do Conjunto Arquitetônico da ECA atenda aos anseios da comunidade. Desde sua implantação, em 1966, a Escola nunca ocupou espaços apropriados ao seu perfil, nos esforçaremos para que este projeto , ora em desenvolvimento, mantenha as características da Escola e proporcione as condições necessárias para o seu crescimento e atualização tecnológica.

Para cada um desses itens há ações concretas que deverão ser desenvolvidas pela administração da Unidade. No entanto, o sucesso dessas ações somente será possível se houver um trabalho conjunto que integre os Departamentos, as Comissões e os órgãos de apoio como, por exemplo, a Biblioteca e o NICA.

É importante salientar que, dada a configuração da Escola, é imprescindível que se mantenha a autonomia dos Departamentos, tanto administrativa quanto financeira. O modelo que a Eca instituiu de descentralização dos recursos orçamentários através da divisão de quotas que são distribuídas entre os Departamentos e a administração central é a base para a manutenção da autonomia.

Uma plataforma de gestão escrita, ainda que nos limites de um texto como este, deve apontar para princípios político-filosóficos e assinalar as questões estruturais mais importantes com o objetivo de dar a conhecer os pontos de vista e as linhas gerais de atuação . Nada substitui um debate ao vivo, e nesse sentido me coloco à disposição para dialogar com a comunidade ecana.

QUE A NOSSA IDENTIDADE MANTENHA A MARCA DAS DIFERENÇAS NA BUSCA CONTINUA DA QUALIDADE E COMPETENCIA QUE HISTORICAMENTE DISTINGUE NOSSA ESCOLA.

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